INFORMATIVO:
DEFICIÊNCIA MÚTIPLA E SURDOCEGUEIRA
DEFICIÊNCIA
MÚLTIPLA
Pessoas
com deficiência múltiplas são
consideradas aquelas que "têm mais de uma deficiência associada. É uma
condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando
associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o
funcionamento individual e o relacionamento social" (MEC/SEESP, 2002).
ETIOLOGIAS DA DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
A deficiência múltipla é uma condição que
resulta de uma etiologia congênita ou adquirida:
• Pré-natais:
Eritroblastose
fetal (incompatibilidade RH), microcefalia, citomegalovírus, herpes, sífilis,
AIDS, toxoplasmose, drogas, álcool, rubéola congênita. Síndromes como, Charge,
Lennox-Gaustaut entre outras.
• Peri-natais:
Prematuridade;
falta de oxigênio, medicação ototóxica, icterícia.
• Pós-natais:
Efeitos
colaterais de tratamentos como: oxigenoterapia, antibioticoterapia, Acidentes,
sarampo, caxumba, meningite, diabetes.
Aparecimento tardio de características de síndromes como distúrbios
visuais na Wolfram, Usher e Alport (Retinose Pigmentar). Podem ser
acrescentadas situações ambientais causadoras de múltipla deficiência, como
acidentes e traumatismos cranianos, intoxicação química, irradiações, tumores e
outras.
As
características específicas apresentadas pelas pessoas com deficiência múltipla
lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas trabalham no que diz
respeito à elaboração de situações de aprendizagem a serem desenvolvidas para
que sejam alcançados resultados positivos ao longo do processo de inclusão.
Esses alunos constituem um grupo com
características específicas e peculiares e, consequentemente, com necessidades
únicas. Por isso, faz-se necessário dar atenção a dois aspectos importantes: a
comunicação e o posicionamento.
Exemplos de associações das DMU:
Ø Sensorial e Física:
§ Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Deficiência Física.
§ Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Paralisia Cerebral.
§ Deficiência
Visual (cegueira ou baixa visão) associada à Deficiência Física.
Ø Deficiência Visual
(cegueira ou baixa visão) associada à Paralisia Cerebral.
Ø Sensorial e Psíquica:
§ Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Deficiência Intelectual.
§ Deficiência
Visual associada à Deficiência Intelectual.
§ Deficiência
Auditiva/Surdez associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
§ Deficiência
Visual associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Ø Física e Psíquica:
§ Deficiência
física associada à Deficiência Intelectual.
§ Deficiência
Física associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Ø Física, Psíquica e Sensorial:
§ Deficiência
física associada à deficiência visual (cegueira ou baixa visão) e a Deficiência
Intelectual.
§ Deficiência
física associada à Deficiência Auditiva/Surdez e a Deficiência Intelectual.
§ Deficiência
visual (Cegueira e ou baixa visão), paralisia cerebral e Deficiência
Intelectual.
As
necessidades das pessoas com múltiplas deficiências, de acordo com Nunes
(2002), podem ser agrupadas em três blocos:
Necessidades físicas e
médicas, como por exemplo:
• A mais freqüente causa da deficiência
múltipla é a Paralisia Cerebral, que compromete a postura e a mobilidade. Os
movimentos voluntários são limitados em termos qualitativos e quantitativos.
• Limitações sensoriais (visual e
auditiva)
• Convulsões
• Controle respiratório e pulmonar
• Problemas com deglutição e mastigação
• Saúde mais frágil com pouca
resistência física
Necessidades emocionais de:
• Afeto
• Atenção
• Oportunidades de interagir com o meio
e com o outro
• Desenvolver relações sociais e
afetivas
• Estabelecer uma relação de confiança
Necessidades educativas
devido a:
• Limitações no acesso ao ambiente
• Dificuldades em dirigir atenção para
estímulos relevantes
• Dificuldades na interpretação da
informação
• Dificuldades na generalização
Analisando
as necessidades de uma pessoa com deficiência múltipla e as conseqüências que a
falta de comunicação pode trazer a abordagem educacional deve ter estratégias
planejadas de forma sistemática, num modelo de colaboração na qual a
comunicação seja a prioridade central.
É
necessário organizar o mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas
claras e uma comunicação adequada. É preciso desenvolver atividades de maneira
multisensorial para garantir aproveitamento de todos os sentidos e que sejam
atividades que proporcionem uma aprendizagem significativa com oportunidades de
generalizar para outros ambientes e pessoas (atividade funcional).
SURDOCEGUEIRA
O
termo surdocegueira refere-se a pessoas que tem perdas auditivas e visuais em
diferentes graus de modo concomitante.
A
pessoa com surdocegueira pode ser:
Ø Surdo total;
Ø Surdocego com surdez
profunda associada a resíduo visual;
Ø Surdocego com surdez moderada
associada com resíduo visual;
Ø Surdocego com surdez
moderada ou leve com cegueira;
Ø Surdocego com perdas
leves, tanto auditivas quanto visuais.
A surdocegueira pode ser congênita ou
adquirida:
Na
surdocegueira congênita a criança nasce
surdocega ou adquire nos primeiros anos de vida antes de adquirir uma língua
Na
surdocegeira adquirida a pessoa ficou cega após
a aquisição de uma língua, seja oral ou sinalizada.
No
grupo de surdocegueira adquirida, segundo Grupo Brasil (2002), as pessoas podem
ser:
Ø Pessoas nascidas com
audição e visão normal e que adquiriram perdas totais ou parciais de visão e
audição.
Ø Pessoas com perda
auditiva ou surdas congênitas com deficiência visual adquirida.
Ø Pessoas com perda
visual ou cegas congênitas com deficiência auditiva adquirida.
De
acordo com a idade em que se estabeleceu a surdocegueira o indivíduo com esta deficiência pode ser classificado em surdocego pré-linguístico, surdocego
pós-linguístico.
NECESSIDADES ESPECÍFICAS DAS PESSOAS COM SURDOCEGUEIRA
E COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
Por
meio do corpo o homem descobre o mundo e a si mesmo, pois o corpo é a realidade
mais imediata do ser humano.
É de extrema importância, portanto favorecer o desenvolvimento do esquema
corporal da pessoa com surdocegueira ou
com deficiência múltipla.
Para
a aquisição da auto percepção e percepção do mundo a pessoa deve ser estimulada
a buscar a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a
harmonização de seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o
aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o
desenvolvimento da força muscular.
Na tentativa de minorar as eventuais
estereotipias motoras e pela necessidade do uso das mãos para o desenvolvimento
de um sistema estruturado de comunicação, as pessoas com surdocegueira e com
deficiência múltipla, que não apresentam graves problemas motores, precisam
aprender a usar as duas mãos.
A
limitação na comunicação e no
processamento e elaboração das informações de algumas pessoas, pode ser
resultado de dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo
neurológicas, podendo resultar em prejuízos no processo de
simbolização das experiências vividas, por acarretar carência de sentido para
as mesmas.
De
modo prioritário deverão ser
disponibilizados recursos para o favorecimento de aquisição da linguagem
estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros,
como também no gestual.
O
trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira requer
constante interação com o meio ambiente, neste processo interacional há
prejuízo quando há déficit nas informações sensoriais e na organização do
esquema corporal.
A
comunicação é considerado o ponto de
partida para chegar a qualquer
aprendizagem, se tornando o aspecto mais importante a ser trabalhado com crianças com surdocegueira e
com deficiência múltipla.
Para
que a comunicação aconteça e sejam alcançados os objetivos estabelecidos dentro
de cada atividade para as crianças, é necessário:
• Alertar a criança sobre a presença de quem
interage com ela.
• Alertar a criança sobre a atividade que vai
ser desenvolvida.
• Introduzir pouco a pouco a criança na
atividade.
• Falar sobre o que se faz enquanto a atividade
é executada.
• Repassar uma e outra vez o que fez durante a
atividade, dando à criança a oportunidade de PEDIR, REJEITAR ou EXPRESSAR
escolhas reais.
• Criar acontecimentos que, com certeza, NÃO
acontecem normalmente dentro de suas atividades.
• Criar oportunidades para resolver problemas
individuais ou em grupo (a complexidade varia segundo as habilidades da
criança).
Objetivando
a eficiência na transmissão e interpretação a comunicação é dividida em
Receptiva e Expressiva.
A
comunicação receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada
por meio de uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação pode
ser recebida por meio de uma pessoa, radio ou TV, objetos, figuras, ou por uma
variedade de outras fontes e formas. No entanto, comunicação receptiva requer
que a pessoa que está recebendo a informação forme uma interpretação que seja
equivalente com a mensagem de quem enviou tentou passar.
A
comunicação expressiva requer que um comunicador (pessoa que comunica) passe a
informação para outra pessoa. Comunicação expressiva pode ser realizada por
meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e
muitas outras variações.
Visando
o estabelecimento da comunicação com crianças com surdocegueira e com
deficiência múltipla, segue sugestões de uso de recursos e estratégias para tal
fim:
- caixas de antecipação;
-
objetos de referência;
-
objetos de referência de atividades;
-
adequações visuais: iluminação;
-
posição e distância;
-
disposição da sala e orientações para as atividades;
- o uso
do quadro negro ou lousa;
-
movimentação do professor;
-
material didático : características visuais;
-
posicionamento;
-
instrutores mediadores e monitores;
- tecnologia assistiva;
-
organização da sala;
-
adequações táteis;
-
pistas: de contexto, de movimentos, táteis;
-
símbolos tangíveis.
É uma das atribuições do professor de AEE-
Atendimento Educacional Especializado, elaborar seu plano de atendimento para o
aluno com surdocegueira e deficiência múltipla contemplando a organização,
estimulação, sistematização do uso de
recursos e estratégias para comunicação
deste aluno proporcionando condições
de sua interação com o mundo.
Referências:
BOSCO,
Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea
UFC-MEC/2010: A Educação Especial na
Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência
Múltipla (2010).
BRENNAN, Vickie, PECK, Flo, LOLLI, Dennis. Sugestões
para modificação do Ambiente em Casa e na Escola -
Um manual para pais e professores de crianças com surdocegueira. Tradução José
Carlos Morais (2004). Revisão e Adaptação para o português do Brasil: Shirley
Rodrigues Maia e Lília Giacomini.
Folheto FACT 3 – COMMUNICATION
/ Primavera 2005 - Lousiana Department of Education 1.877.453.2721 State Board
of Elementary and Secondary Education. Tradução: Vula Maria
Ikonomidis. Revisão: Shirley Rodrigues Maia. Junho de 2008.
IKONOMIDIS,
Vula Maria Apostila sobre “Deficiência
Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar.
MAIA,
Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes
para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela
coordenadora da disciplina: Curso de Especialização lato-sensu de Formação de
Professores para o Atendimento Educacional Especializado – AEE – UFC- MEC/ 2013.
ROWLAND
Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções
Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila
In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.
SERPA,
Ximena Fonegra. Comunicação para Pessoas
com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas,
INSOR-Colômbia 2002.