Educação Escolar X Atendimento Educacional
Especializado de Pessoas com Surdez
A educação escolar de alunos com surdez vem sendo
construída gradativamente por meio de rompimento de paradigmas ocorrido por
meio dos embates entre gestualistas e
oralistas, surgindo reflexões que contribuem com esta ruptura. Assim a pessoa
com surdez vem sendo percebida como descentrada, cujos processos perceptivos,
linguísticos e cognitivos deverão ser estimulados e desenvolvidos e
consequentemente venham tornar-se seres humanos mais capazes, produtivos e constituídos de variadas linguagens, bem como
de potencialidades a serem adquiridas e desenvolvidas.
Compreendendo que o foco do fracasso escolar não está só na
escolha de qual lingua a ser usada, mas também na qualidade e na eficiência das
práticas pedagógicas as quais precisam ser revistas para o resultado de uma
educação para pessoass com surdez por percursos consistentes e produtivos.
Torna-se necessário discutir que, mais do que uma língua, as pessoas com
surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o
pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva. Como seres pensantes
que são, raciocinam e que precisam de uma escola que explore suas capacidades,
em todos os sentidos.
Partindo da certeza de que os processos perceptivos,
lingüísticos e cognitivos das pessoas com surdez poderão ser estimulados e
desenvolvidos, tornando-as sujeitos capazes, produtivos e constituídos de
várias linguagens, com potencialidade para adquirir e desenvolver não somente
os processos visuais-gestuais, mas também ler e escrever as línguas em seus
entornos e, se desejar, também falar.
A pessoa com surdez ao adquirir a língua
de sinais, não tem por garantia uma aprendizagem significativa, o ambiente
escolar em especial bem como os demais no qual a pessoa transita
cotidianamente, se não oferecerem condições de mediações simbólicas com o meio físico e social, não exercita ou
provoca a capacidade representativa dessas pessoas, tem como consequência o comprometimento do
desenvolvimento do pensamento, da linguagem e da produção de sentidos.
Nesse
contexto de compreensão é que legitimada a construção do Atendimento
Educacional Especializado para pessoas com surdez por meio da Política Nacional
de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, que disponibiliza serviços e
recursos. Cujo atendimento tem como função organizar o trabalho complementar
para a classe comum, visualizando à autonomia e à independência social,
afetiva, cognitiva e linguística da pessoa com surdez na escola e fora dela.
A organização
didática do AEE da pessoa com surdez é idealizada mediante a formação do
professor e do diagnóstico inicial do aluno com surdez. Em seguida, o professor
elabora o plano AEE PS, no qual serão contemplados três momentos
didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado em Libras;
Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa
escrita; e o atendimento educacional especializado para o ensino de Libras,
respeitando o ambiente
comunicacional das duas línguas e a participação ativa e interativa dos alunos
com surdez, assegurando uma aprendizagem efetiva.
E assim a
abordagem bilingüe é legitimada e
aplicada a obrigatoriedade dos dispositivos legais do Decreto 5.626 de 5 de
dezembro de 2005, que determina o direito de uma educação que garanta a
formação da pessoa com surdez, em que a Língua Brasileira de Sinais e a Língua
Portuguesa, preferencialmente na sua modalidade escrita, constituam línguas de
instrução, e que o acesso às duas línguas
ocorra de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o
desenvolvimento de todo o processo educativo.
Para Damázio (2010), o AEE PS deve respeitar os
princípios pedagógicos essenciais, que garantam o acesso às duas línguas
obrigatórias para o atendimento do aluno com surdez, sob uma organização
didática e metodológica do fazer aula especializada, mediante a autoridade
técnica, humana e política do professor como responsável pela mediação de uma aprendizagem processual dialógica, no qual devam
ser ofertadas infinitas possibilidades
para que ocorra a problematização, a experienciação, a experimentação, a
demonstração e as trocas circunstanciais, promovendo o desenvolvimento social,
afetivo, cognitivo e linguístico do aluno com surdez.
Referência
bibliográfica:
DAMÁZIO,
M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar
de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção.
Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.
A parti do respeito aos princípios pedagógicos garantindo o acesso às duas línguas obrigatórias para o atendimento do aluno com surdez, com certeza nosso trabalho e o aprendizado de nossos alunos será bem mais eficaz. Este blog nos permite ampliar nossos conhecimentos acerca da clientela com surdez. Ótimo, amiga.
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