segunda-feira, 21 de abril de 2014

INFORMATIVO: DEFICIÊNCIA MÚTIPLA E SURDOCEGUEIRA





 DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
Pessoas com deficiência múltiplas  são consideradas aquelas que "têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social" (MEC/SEESP, 2002).
ETIOLOGIAS DA DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
 A deficiência múltipla é uma condição que resulta de uma etiologia congênita ou adquirida:
• Pré-natais:
Eritroblastose fetal (incompatibilidade RH), microcefalia, citomegalovírus, herpes, sífilis, AIDS, toxoplasmose, drogas, álcool, rubéola congênita. Síndromes como, Charge, Lennox-Gaustaut entre outras.
• Peri-natais:
Prematuridade; falta de oxigênio, medicação ototóxica, icterícia.

• Pós-natais:
Efeitos colaterais de tratamentos como: oxigenoterapia, antibioticoterapia, Acidentes, sarampo, caxumba, meningite, diabetes.  Aparecimento tardio de características de síndromes como distúrbios visuais na Wolfram, Usher e Alport (Retinose Pigmentar). Podem ser acrescentadas situações ambientais causadoras de múltipla deficiência, como acidentes e traumatismos cranianos, intoxicação química, irradiações, tumores e outras.
As características específicas apresentadas pelas pessoas com deficiência múltipla lançam desafios à escola e aos profissionais que com elas trabalham no que diz respeito à elaboração de situações de aprendizagem a serem desenvolvidas para que sejam alcançados resultados positivos ao longo do processo de inclusão.
 Esses alunos constituem um grupo com características específicas e peculiares e, consequentemente, com necessidades únicas. Por isso, faz-se necessário dar atenção a dois aspectos importantes: a comunicação e o posicionamento.
 Exemplos de associações das DMU:
Ø  Sensorial e Física:
§  Deficiência Auditiva/Surdez associada à Deficiência Física.
§  Deficiência Auditiva/Surdez associada à Paralisia Cerebral.
§  Deficiência Visual (cegueira ou baixa visão) associada à Deficiência Física.
Ø  Deficiência Visual (cegueira ou baixa visão) associada à Paralisia Cerebral.
Ø  Sensorial e Psíquica:
§  Deficiência Auditiva/Surdez associada à Deficiência Intelectual.
§  Deficiência Visual associada à Deficiência Intelectual.
§  Deficiência Auditiva/Surdez associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
§  Deficiência Visual associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Ø  Física e Psíquica:
§  Deficiência física associada à Deficiência Intelectual.
§  Deficiência Física associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
Ø  Física, Psíquica e Sensorial:
§  Deficiência física associada à deficiência visual (cegueira ou baixa visão) e a Deficiência Intelectual.
§  Deficiência física associada à Deficiência Auditiva/Surdez e a Deficiência Intelectual.
§  Deficiência visual (Cegueira e ou baixa visão), paralisia cerebral e Deficiência Intelectual.
As necessidades das pessoas com múltiplas deficiências, de acordo com Nunes (2002), podem ser agrupadas em três blocos:
Necessidades físicas e médicas, como por exemplo:
•          A mais freqüente causa da deficiência múltipla é a Paralisia Cerebral, que compromete a postura e a mobilidade. Os movimentos voluntários são limitados em termos qualitativos e quantitativos.
•          Limitações sensoriais (visual e auditiva)
•          Convulsões
•          Controle respiratório e pulmonar
•          Problemas com deglutição e mastigação
•          Saúde mais frágil com pouca resistência física
Necessidades emocionais de:
•          Afeto
•          Atenção
•          Oportunidades de interagir com o meio e com o outro
•          Desenvolver relações sociais e afetivas
•          Estabelecer uma relação de confiança
Necessidades educativas devido a:
•          Limitações no acesso ao ambiente
•          Dificuldades em dirigir atenção para estímulos relevantes
•          Dificuldades na interpretação da informação
•          Dificuldades na generalização
Analisando as necessidades de uma pessoa com deficiência múltipla e as conseqüências que a falta de comunicação pode trazer a abordagem educacional deve ter estratégias planejadas de forma sistemática, num modelo de colaboração na qual a comunicação seja a prioridade central. 
É necessário organizar o mundo da pessoa por meio do estabelecimento de rotinas claras e uma comunicação adequada. É preciso desenvolver atividades de maneira multisensorial para garantir aproveitamento de todos os sentidos e que sejam atividades que proporcionem uma aprendizagem significativa com oportunidades de generalizar para outros ambientes e pessoas (atividade funcional). 





SURDOCEGUEIRA
O termo surdocegueira refere-se a pessoas que tem perdas auditivas e visuais em diferentes graus de modo concomitante.
A pessoa  com surdocegueira pode ser:
Ø  Surdo total;
Ø  Surdocego com surdez profunda associada a resíduo visual;
Ø  Surdocego com surdez moderada associada com resíduo visual;
Ø  Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira;
Ø  Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visuais.               
A  surdocegueira pode ser congênita ou adquirida:
Na surdocegueira  congênita a criança nasce surdocega ou adquire nos primeiros anos de vida antes de adquirir uma língua
Na surdocegeira adquirida a pessoa ficou cega após  a  aquisição  de uma língua, seja oral ou sinalizada.
No grupo de surdocegueira adquirida, segundo Grupo Brasil (2002), as pessoas podem ser:
Ø  Pessoas nascidas com audição e visão normal e que adquiriram perdas totais ou parciais de visão e audição.
Ø  Pessoas com perda auditiva ou surdas congênitas com deficiência visual adquirida.
Ø  Pessoas com perda visual ou cegas congênitas com deficiência auditiva adquirida.
De acordo com a idade em que se estabeleceu a surdocegueira o indivíduo  com esta deficiência  pode ser classificado em   surdocego pré-linguístico, surdocego pós-linguístico.
 NECESSIDADES ESPECÍFICAS DAS PESSOAS COM SURDOCEGUEIRA E COM DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
Por meio do corpo o homem descobre o mundo e a si mesmo, pois o corpo é a realidade mais imediata do ser humano.
 É de extrema importância, portanto  favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da  pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla.
Para a aquisição da auto percepção e percepção do mundo a pessoa deve ser estimulada a buscar a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular.
Na  tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do uso das mãos para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação, as pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla, que não apresentam graves problemas motores, precisam aprender a usar as duas mãos.
 A  limitação  na comunicação e no processamento e elaboração das informações de algumas pessoas, pode ser resultado de dificuldades fonoarticulatórias, motoras ou mesmo neurológicas,  podendo  resultar em prejuízos no processo de simbolização das experiências vividas, por acarretar carência de sentido para as mesmas.
De modo prioritário  deverão ser disponibilizados recursos para o favorecimento de aquisição da linguagem estruturada no registro simbólico, tanto verbal quanto em outros registros, como também no gestual.
O trabalho com o aluno com deficiência múltipla e com surdocegueira requer constante interação com o meio ambiente, neste processo interacional há prejuízo quando há déficit nas informações sensoriais e na organização do esquema corporal.
A comunicação é  considerado o ponto de partida para chegar a qualquer  aprendizagem, se tornando o aspecto mais importante a ser  trabalhado com crianças com surdocegueira e com deficiência múltipla.
Para que a comunicação aconteça e sejam alcançados os objetivos estabelecidos dentro de cada atividade para as crianças, é necessário:
•  Alertar a criança sobre a presença de quem interage com ela.
•  Alertar a criança sobre a atividade que vai ser desenvolvida.
•  Introduzir pouco a pouco a criança na atividade.
•  Falar sobre o que se faz enquanto a atividade é executada.
•  Repassar uma e outra vez o que fez durante a atividade, dando à criança a oportunidade de PEDIR, REJEITAR ou EXPRESSAR escolhas reais.
•  Criar acontecimentos que, com certeza, NÃO acontecem normalmente dentro de suas atividades.
•  Criar oportunidades para resolver problemas individuais ou em grupo (a complexidade varia segundo as habilidades da criança).
Objetivando a eficiência na transmissão e interpretação a comunicação é dividida em Receptiva e Expressiva.
A comunicação receptiva ocorre quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação pode ser recebida por meio de uma pessoa, radio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de outras fontes e formas. No entanto, comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com a mensagem de quem enviou tentou passar.
A comunicação expressiva requer que um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras variações.
Visando o estabelecimento da comunicação   com crianças com surdocegueira e com deficiência múltipla, segue sugestões de uso de recursos e estratégias para tal fim:
 - caixas de antecipação;
- objetos de referência;
- objetos de referência de atividades;
- adequações visuais: iluminação;
- posição e distância;
- disposição da sala e orientações para as atividades;
- o uso do quadro negro ou lousa;
- movimentação do  professor;
- material didático : características visuais;
- posicionamento;
- instrutores mediadores e monitores;
 - tecnologia assistiva;
- organização da sala;
- adequações táteis;
- pistas: de contexto, de movimentos, táteis;
- símbolos tangíveis.
É  uma das atribuições do professor de AEE- Atendimento Educacional Especializado, elaborar seu plano de atendimento para o aluno com surdocegueira e deficiência múltipla contemplando a organização, estimulação,  sistematização do uso de recursos e estratégias para  comunicação deste aluno  proporcionando condições de  sua interação  com o mundo.

Referências:
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010).
BRENNAN, Vickie, PECK, Flo, LOLLI, Dennis. Sugestões para modificação do Ambiente em Casa e na Escola - Um manual para pais e professores de crianças com surdocegueira. Tradução José Carlos Morais (2004). Revisão e Adaptação para o português do Brasil: Shirley Rodrigues Maia  e Lília Giacomini.
Folheto FACT 3 – COMMUNICATION / Primavera 2005 - Lousiana Department of Education 1.877.453.2721 State Board of Elementary and Secondary Education. Tradução: Vula Maria Ikonomidis. Revisão: Shirley Rodrigues Maia. Junho de 2008.
IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar.
MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado pela coordenadora da disciplina: Curso de Especialização lato-sensu de Formação de Professores para o Atendimento Educacional Especializado – AEE –  UFC- MEC/ 2013.
ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.

SERPA, Ximena Fonegra. Comunicação para Pessoas com Surdocegueira. Tradução do livro Comunicacion para Persona Sordociegas, INSOR-Colômbia 2002.